domingo, 7 de agosto de 2016

CONTRIBUIÇÃO DE PESQUISADORES DE BRASÍLIA PARA O CONHECIMENTO AGRONÔMICO SOBRE O GINSENG BRASILEIRO, Pfaffia glomerata, ATÉ 2016.

CONTRIBUIÇÃO DE PESQUISADORES DE BRASÍLIA PARA O CONHECIMENTO AGRONÔMICO SOBRE O GINSENG BRASILEIRO, Pfaffia glomerata.
Por 
Davi Pedroza de Araújo Pinheiro
Michelle Sousa Vilela
Jean Kleber A. Mattos

Referência 
PINHEIRO, D. P. A. A experimentação com Pfaffia glomerata no Distrito Federal. Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária, Universidade de Brasília; Monografia de Conclusão de Curso. 2016, 28 p. Orientadores: Michelle Sousa Vilela e Jean Kleber A. Mattos

Pfaffia glomerata (Spreng) Pedersen é uma planta medicinal da família Amaranthaceae, apresentando no Brasil os seguintes nomes populares: Abranda (Maranhão); Acônito do Mato (Pernambuco); Corango Sempre Viva (Santa Catarina); Corrente (Pará); Ginseg Brasileiro (Grande Mídia); Pfaffia ou Fáfia (literatura técnico-científica)
Não parece haver informação de botânicos sobre variedades mas foram descritos alguns acessos que se distinguem por características da morfologia externa e por seu comportamento em relação à Ferrugem (Uromyces platensis), e Meloidoginose (Meloidogyne spp). Foram registradas também manchas de folhas causadas pelos fungos Pheoramularia gomphrenicola e Septoria sp.
O formulado das raízes é um resistógeno, ou seja, aumenta a resistência orgânica de forma não específica e mantém o estado de vigília. Produz mucilagem (raiz) que serve para regimes de emagrecimento (cápsulas). Outros possíveis efeitos são como antidiabético e promotor da fertilidade feminina, carecendo porém de maiores estudos. As folhas são utilizadas em Sergipe como analgésicas e no Maranhão, em banhos para acalmar.
Além de mucilagem, relata-se a presença de ácido oleanólico, ecdisterona, rubrosterona e β-glucopiranosil oleanolato em raízes de P. glomerata. Também o ácido triterpênico glomérico e o ácido nortriterpênico pfamérico. Os principais compostos responsáveis pela atividade biológica da espécie P. glomerata são os ecdisteroides, sendo a ecdisterona e/ou β-ecdisona o esteroide mais importante empregado nas formulações cosméticas e na farmacologia.
O processamento da fáfia: lavar, picar e triturar as raízes até formar uma “pasta”, que depois é submetida a uma pré-secagem ao sol sobre uma lona plástica. O material seco é moído e levado ao sol para secagem final, até cerca de 10 a 12% de umidade. Depois de seco e moído, o pó é vendido pelos intermediários aos atacadistas e/ou exportadores, principalmente do estado de São Paulo.
Analisando os resultados produzidos no Distrito Federal na Universidade de Brasília e na EMBRAPA (em nematologia a orientação foi da Dra. Regina Maria Dachechi Gomes Carneiro - CENARGEN), verifica-se que resultados contribuíram para que se conheçam algumas características da cultura, em complemento e confirmação ao que já registra a literatura nacional e internacional.
Eis algumas conclusões:
1- Trata-se de uma espécie de fácil propagação e cultivo.
2- A espécie é rústica podendo tornar-se invasora em locais mais favoráveis a seu desenvolvimento.
3- Doze meses de cultivo é o tempo necessário para se obter o maior rendimento em raízes.
4- Pode ser propagada por estaquia uni-nodal e semi-nodal, além de ser espécie autosemeadora.
5- Apresenta variabilidade genética tanto para características da morfologia externa como no teor de beta-ecdisona.
6- Do ponto de vista fitossanitário apresenta as seguintes ocorrências: Mosaico da Pfaffia (PfMV),), Ferrugem (Uromyces platensis), Septoriose (Septoria sp) e Meloidoginose (Meloidogyne javanica, M. incognita e M. paranaensis)
7. Foi observado que o parasitismo no nematoide das galhas da raiz pode exaltar o conteúdo em beta-ecdisona, seu principal componente farmacológico, em concentração três vezes maior, na galha causada pelo nematoide.
8- Obtiveram-se em ensaio de auto-semeadura em estufa, plantas livres dos sintomas do Mosaico da Pfaffia.
9- Selecionaram-se, em ensaio de reação a Meloidogyne spp, acessos resistentes a pelo menos duas espécies de Meloidogyne.
10- Selecionaram-se, em ensaio fitopatológico, acessos resistentes ao mesmo tempo a Ferrugem (Uromyces platensis) e a pelo menos duas espécies de Meloidogyne. 
11- Observou-se em telado ataque de cigarrinha (Empoasca kraemeri) causando descoloração (arroxeamento) e deformação foliar nas plantas.
12- O cultivo em vasos em casa de vegetação apresenta suscetibilidade a ácaros (Acarina) e cochonilhas (Orthezia cf. insignis)

BIBLIOGRAFIA
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